Um desses casos foi documentado no conjunto habitacional Portal
da Esperança, no bairro Nova Theresina, na zona Leste de Teresina.
A juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude de Teresina, Maria
Luiza de Moura Mello de Freitas, intimou a dona de casa Deusimeire Alves
da Silva, de 31 anos, a comparecer na Justiça porque seu marido,
Francisco Rodrigues da Silva solicitou intervenção na situação de sua
família uma vez que sua companheira permanece em extrema dependência de
álcool, fumo e há suspeita de uso de entorpecentes.
Francisco Rodrigues da Silva informou que as filhas e o enteado
S.A., de 16 anos, sofriam violência física da ,mãe e a menina M.C., de
oito anos de idade, estava sendo vítima de abuso sexual.
Na queixa apresentada na Defensoria Pública, segundo relatório da
defensora pública Daniela Neves Bona, Francisco Rodrigues, um vendedor
de algodão doce, denunciou a negligência da mulher em relação às cinco
crianças que moram em sua casa no Portal da Esperança.
A Defensoria Pública pediu providência à 1ª Vara da Infância e da
Juventude de Teresina porque conforme declaração do pai, Francisco
Rodrigues a menina M.C. estava sendo vítima de abuso sexual.
Na manhã de segunda-feira, Deusemeire Alves da Silva disse que
foi com o marido, Francisco Rodrigues, denunciar na Delegacia
Especializada de Proteção à Criança e do Adolescente que a filha M.C.,
de oito anos, contou que foi abusada sexualmente por um idoso aposentado
e seu genro, que moram no conjunto Portal da Esperança.
Os vizinhos dizem que o genro é um traficante e usuários de drogas, principalmente crack.
“Minha filha disse que o idoso e seu genro pegam em suas partes
íntimas, ficam usando os dedos nela. Nós fomos denunciar. Eu acredito
nela, apesar de ser danada”, afirmou Deusemeire Alves da Silva afirmando
que o genro usa pedras de crack e dá, de graça, bebidas alcoólicas.
“Eu sou alcoólatra e uso muito fumo Saci, mas eu não uso drogas.
Realmente minha filha só vive na casa do idoso e de seu genro, que é
casado. Mesmo depois que denunciamos o abuso sexual, ela não sai da casa
deles”, afirmou Deusemeire Alves. “Eu vejo o genro pegando uma pedras,
eu sei que ele usa, mas não que trafica”, afirmou Deusemeire Alves.
Os vizinhos afirmam que por falta de polícia e de instituições de
proteção no Portal de Esperança, o tráfico de drogas é praticado em
muitas casas.
“Drogas, pedofilia e abusos sexuais aqui são comuns, além dos
muitos assaltos”, declarou a dona de casa Falopu a dona de casa Maria
Rosa.
O matagal invadiu o Portal da Esperança. Na mata, os traficantes e
usuários usam crack e depois saem para assaltar as casas que ficam
vazias durante o dia porque os donos saem para trabalhar.
“Aqui roubam todas as casas. Os assaltantes jogam pedras nas
janelas e nos telhados das casas e se ninguém responde ou reclama, eles
invadem e roubam o que encontram nas residências. Roubam até
geladeiras”, afirmou o eletricista Manuel do Nascimento, que mora no
conjunto vizinho, o Nova Theresina.
Ele mostra que os assaltos são muitos e nem o templo da Igreja
Pentecostal Deus é Amor resistiu.
Funcionou entre os conjuntos Portal da
Esperança e Portal da Alegria, mas tete que fechar. A casa foi colocada
para à venda.
Crianças continuam abandonadas
Apesar da denúncia de que foi vítima de abuso sexual por um
traficante de drogas, a M.C., de oito anos, vai todos os dias para a
casa dele.
Na manhã de segunda-feira, às 12h30, M.C., suas irmãs I.R., de
cinco anos, H.C., de dois anos, e S.A.S., de 16 anos, estavam com fome e
sem nada o que comer, juntos com a mãe, Deusimeire Alves da Silva, de
31 anos.
Deusimeire Alves da Silva disse que o marido Francisco Rodrigues
da Silva tinha ido comprar embalagens para o algodão doce e ido
trabalhar na casa de um de seus patrões, tinha deixado arroz e feijão,
mas não carvão para que os alimentos fossem cozinhados.
“Nós ficamos assim sem comer por falta de comida. M.C. se
alimentou na escola, para onde vai voltar durante a tarde, I.R. está sem
comer, mas ela come na casa da vizinha, e H.C., porque ainda é pequena,
toma mamadeira. Eu e S.A.S., vamos ficar sem comer”, afirmou Deusimeire
Alves da Silva.
S.A.S. disse que na casa onde I.R. se alimenta mora um rapaz de 21 anos que manteve relações sexuais com sua irmã de oito anos.
“Eu não c... ela. Já explicaram que eu tomo remédios
controlados”, afirmou M.R., de 21 anos, que diz ter transtornos mentais e
é medicado com remédios de uso controlado.
Dentro da casa da família de Deusimeire Alves da Silva e de
Francisco Rodrigues da Silva não tem móveis, além de algumas cadeiras, a
TV sempre fica ligada. As bonecas de plásticos estão sem roupas e são
riscadas, um pequeno coelho recheado de isopor está praticamente
escondido entre as pernas de uma cadeira.
A residência mostra desalinho.
Deusimeire Alves da Silva disse que continua consumindo muitas
bebidas alcoólicas e fumo, Segundo ela, a Defensoria Pública tinha
prometido interná-la para tratamento contra alcoolismo, mas isso nunca
aconteceu.
“Prometeram, mas nunca me internaram. Continuo bebendo muito”, afirmou Deusimeire Alves.
O pedido de intervenção na família foi feito em 2011.



Fonte: Meio Norte